sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Arapixi: você conhece?

Recebi o email abaixo do Felipe Mendonça, do blog Picaretas da Távola Redonda, e que também trabalha no ICMBio aqui do Acre. Vi os filmes, gostei. Conheço o Arapixi de nome e de longe. Quando andei uma época, lá pelos idos de 2003, por Boca do Acre, trabalhando na certificação do couro vegetal com a turma da APAS, sempre encontrava o seu Raimundo Rocha, morador do Arapixi, correndo atrás dos direitos do povo de lá, sempre ameaçado de expulsão.

Em 2006, a Reserva Extrativista Arapixi foi criada, e nunca mais fui a Boca ou vi o seu Raimundo. Sempre sei de uma notícia ou outra de lá, pela Karine, a Marina e agora o Felipe. Então gostei muito de ver as imagens daquele povo seringueiro e suas histórias. Sinto-me remetida a um tempo que não é mais, e que já vivi de alguma forma no Alto Juruá...

Então, taí, o Arapixi pra quem não conhece!

"Olá Mariana,

estou entrando em contato para lhe apresentar o documentário que fizemos da RESEX ARAPIXI "Das margens da histõria às margens do Purus: vida e resistência na RESEX ARAPIXI". Com imagens captadas durantes as viagens que fazemos na gestão da Unidade, vimos que tinhamos uma história pra contar... e estamos contando. Mais do que um filme da RESEX, o documentário é um filme das pessoas que ali moram.

Ele a princípio está no YouTube dividido em 3 partes. Estamos em busca de patrocínio para fazer as cópias.

Você me daria um enorme prazer se pudesse ver o documentário.

Muito obrigado
Beijos
Felipe"

1a. parte

2a. parte

3a. parte

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tas no Acre

Pois é, o Marcelo Tas passou por aqui. Veio para um evento chamado iNeo´09, algo como a renovação de nós mesmos em 2009 no contexto das chamadas novas mídias a partir da introdução da internet, nos anos 80. Foram várias mesas e uma palestra dele de encerramento. Vi a primeira mesa, e depois voltei à noite para a palestra do Tas. Sobre o evento como um todo, tem uma postagem bem legal, e crítica, no blog dos Picaretas da Távola Redonda.

De uma maneira geral, ouvi coisas interessantes, gente inteligente, moderna, o Altino também estava lá com seu jeitão. Foi na Usina de Artes, no teatro que tem lá, aquele todo preto. Senti que quando eu estava lá adentrara num universo outro, algo como um portal, e aí coisas como blogs, orkut, twitter e afins eram a linguagem, e quem não se conectasse a isso, coitado... Fiquei pensando: "nossa, é mesmo? Meu Deus, e agora? Nem sei o que é Twitter...". Quando saí para dar um pulo em casa, a conexão caiu e entrei no meu mundo costumeiro, com aquele calor de rachar, o sol brilhante, minha casa, cachorros, alunos, aulas, amores. Entrei na internet e fui dar uma olhada no Twitter, mas não me animei. Atualmente, o que mais preciso é tempo de estudo, leitura. Abrir mais uma frente de dispersão, acho que não. Fico com o meu uso costumeiro: email, blogs, skype e Google!

Mas o Marcelo Tas é muito dez! Conheci ele meio tardiamente, ou seja, não peguei, infelizmente, os tempos do Ernesto Varela. Quando morava em Campinas conheci o Vitrine, na TV Cultura. Nossa, curtia muito! E aí, sempre que vejo algo dele, paro, presto atenção, gosto de ouvir. Ver pessoalmente, ouví-lo ao vivo - oportunidade imperdível. E a conversa dele foi muito bacana, ele é muito bacana, agradável de ouvir. Não é um fanático, muito pelo contrário. Tem uma serenidade e maturidade, mesmo uma espiritualidade (será que ele ficou conhecendo nossa "poção mágica da floresta"?). Ele comunica, o cara comunica, galera! Vê-se que está a vontade com toda aquela parafernália midiática. Taí, gostei mesmo.

Fiz umas fotos e um filmezinho com a máquina, que disponibilizo aqui. Neste trecho ele está falando da internet, dos idos de 1988, quando um amigo pediu que ele fizesse uma exposição para seu chefe [chefe do amigo] dizendo das oportunidades que se abriam com a www.



terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Xingu é aqui

"Ondas de calor jamais sentidas. Ventos acima da média. Rios cada vez menos caudalosos. Esse é o cenário atual da região do Alto Xingu, segundo o chefe indígena Raoni Txucarramãe, líder da etnia Kayapó".

Esta descrição de Raoni, publicada na Folha de SP de hoje, parece extremamente familiar para nós acreanos, em especial neste verão que se encerra (assim esperamos). O calor tem estado verdadeiramente INSUPORTÁVEL, o sol machuca e é implacável, dá uma sensação de sufocamento, sei lá. Ir no centro virou um pesadêlo. Lá em casa, os cachorros vivem debaixo de casa, que é mais fresco. Os filhotes de um mês choram de calor durante o dia. À noite, melhora um pouco, mas dormir sem ventilador (não tenho e não gosto de ar condicionado) virou pré-condição. Durante o dia também: os dois que tenho em casa funcionam sem parar. Esses dias passou lá em casa uma amiga querida, a Maria Alice. Conversando ela me contou que nos Estados Unidos, numa cidade onde esteve (não recordo o nome), cuja temperatura sempre ficou nos 35 graus, ela experimentou um calor de 47 graus! Disse que as pessoas iam para os jardins e ficaram estateladas em cima da grama. Imaginou a cena?

"O calor está intenso, os ventos são muitos mais fortes do que eram antes e o nível dos rios na seca é diferente do que era tempos atrás. Estou muito preocupado, pois estou vendo acontecer tudo o que vinha falando há tanto tempo". É Raoni, também estou preocupada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Novidades em casa

Hoje faz um mês que a Luna pariu dez filhotes, sete meninos e três meninas. Uma morreu, a mais mirradinha, não resistiu, a seleção natural falou mais alto. Os nove restantes vão muito bem, obrigada. A Xila, filha também da Luna, mas já com um ano, ao início assustada e desconfiada, agora sacou que os irmãozinhos(as) são um grande barato e brinca muito com eles. A Luna fica enciumada, e dá-lhe uns carões! Mas a Xila volta a carga, sabe como é, criança, né? Fiz um filminho de uma dessas cenas, que compartilho com os amantes da vida animal.

domingo, 11 de outubro de 2009

Novo blog no ar!

Tem blog novo no ar, o Amazone-se, criado e alimentado pela Bia Saldanha, amiga de longuíssima data e que em fevereiro deste ano veio de volta para o Acre com sua família: Marcelo, o marido, e João Manuel, filho, acreano de nascimento. Depois de ensaios e ameaças, eis que vem à luz, finalmente, o blog da Bia. Ela tem longa história aqui no Acre. Somos da geração "acrioca", que veio do Rio e adotou o Acre como morada, e foi pelo Acre também adotada. E vamos vivendo aqui, com saudades do Rio, que é muito lindo e amado, mas felizes da vida por estar aqui perto da floresta, neste lugar tão especial e fascinante que é o Acre, cheio de desafios, apuros e presentes.

Bia amazonizou-se. Amazone-se vc também!

Aí somos nós (Bia, à esquerda, Luis e eu), no aniversário da madrinha Peregrina, no Alto Santo, em julho de 2007.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um plano e muitas esperanças

Vieram então as apresentações dos grupos de trabalho, com seus mapas e relatórios. Já estávamos no dia 20, último dia da reunião.

Um a um, os oito grupos relataram suas conclusões, tendo a mão seus relatórios, ao final reunidos numa imensa pilha confiada aos consultores coordenadores do Plano. É muita responsabilidade, não? E a idéia é fazer com que este material esteja espelhado no Plano, seja uma base para as análises e propostas. Mapas detalhados, com verbetes inventivos, de tamanhos diversos foram apresentados e igualmente entregues à coordenação.

Tudo é realmente muito ambicioso. Por que digo isso? Porque fazer de um processo algo que valha o nome de "participativo" - palavra surrada no vocabulário de projetos e governamental - é algo que dá trabalho e requer muita, mas muita mesmo, paciência e generosidade para escutar e acolher o que o outro está dizendo. E tem horas que este outro diz cada coisa!

É sério. Por exemplo: parte das soluções encontradas pelos participantes lembravam uma "lista de compras" aos governos. E aí fica a pergunta: participativo não deveria estar aliado a uma perspectiva mais antonomista por parte dos moradores da Reserva, e menos alimentadora de dependências? Mas e aí, se esta solução foi a enxergada? Na verdade, nem tudo está perdido, pois em meio a este senso comum de demandar do Estado - coisa que, frize-se, não é privilégio das populações da floresta! - aparecem coisas como organizar cooperativas locais, comunidades chamando para si responsabilidades que já tiveram mas perderam, como a de fiscalizar e estabelecer leis locais. E assim vai-se construindo a "participação".

Ora, o consultor também é parte, então tem que dialogar com tudo isso, trazer novas idéias, fomentar demandas, mostrar aspectos que não foram tratados. Colocar as partes para conversar, como foi feito na última parte da reunião. O gestor da Reserva no ICMBio foi chamado a fornecer explicações (foto abaixo), o presidente da Asareaj (abaixo, à esquerda em pé) também, assim como secretários municipais. Compromissos foram publicamente assumidos, posições foram tornadas claras. Ilusões talvez tenham sido perdidas, o que não é ruim, ou é?

Pra finalizar, o evento e também esta postagem, um fecho de ouro. Um termo de cooperação técnica foi assinado entre a Asareaj e a Apiwtxa, tendo o ICMBio como testemunha e todos os moradores da Reserva presentes (muitos dos quais fizeram questão de assinar o documento como testemunhas). O evento foi muito aplaudido e saudado como um bom vento, um bom augúrio, uma esperança. Para alguns mais veteranos de toda a história (e aqui me incluo), a Aliança dos Povos da Floresta, muito significativa na região entre 1988 e o início dos anos 90, foi reeditada e atualizada. Simbolicamente, mas não só pois as consequências são também de ordem prática, talvez algo muito forte esteja em curso: um recuo no preconceito étnico, ou a abertura de uma brecha para uma nova visão de desenvolvimento e bem-estar, ou pelo menos o estabelecimento de um inesperado canal de conversas e interesses comuns.

Um gran finale, como disse, e esperamos que uma aurora promissora para o Alto Juruá.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Na reunião do Plano de Manejo

Quando cheguei os trabalhos já haviam começado. Estavam presentes mais de 100 representantes comunitários de 69 comunidades da Reserva Extrativista do Alto Juruá. Foram poucas, cerca de 10, as comunidades ausentes, o que foi um excelente sinal. Todos já haviam se apresentado e o passo seguinte era partir para trabalhos em grupo, desta vez não mais por comunidades e sim por regiões da Reserva. Foram então identificadas oito regiões e as comunidades agrupadas nelas.

Partiram então todos para o trabalho: elaboração de um mapa com as comunidades assinaladas e um diagnóstico com os principais problemas e soluções para a referida região e, depois, num esforço de reflexão ampliado, na perspectiva de cada região, para toda a Reserva. Este trabalho consumiu o restante do dia 17 e ainda parte do dia 18.

No meio de tudo isso, as refeições e suas filas que não eram brincadeira mas com comida para todos,...

... explanações de professores universitários, como a Marta e o Edu, da UFAC-Floresta, sobre pesquisas colaborativas possíveis,...

e também cantorias dos artistas locais, que não são poucos. Este aí abaixo é o Valmar Calixto, grande compositor e intérprete do rio Tejo!

E uma coisa muito interessante: palestras e filmes dos coordenadores do Yorenka Antame, os Ashaninka do rio Amônia. Aí abaixo é o Benki Pianko, que acompanhou toda a reunião. Pra quem nunca tinha visto, ali estavam indígenas acolhendo seus vizinhos brancos em sua casa e conversando sobre alternativas possíveis para um desenvolvimento mais amigável para com a natureza e todos os seres vivos, inclusive os humanos. Tudo isso preparou o final da reunião para um gran finale, como será visto.