O título da postagem é uma clara referência ao filme "A Marcha dos Pinguins". Não sei se o local é o mesmo, mas os Kunta vão marchar no gelo. Da floresta ao Círculo Polar Ártico. Não é para qualquer um, devemos reconhecer.
Estive com Haru Kuntanawa e seu pai, Iavu Kuntanawa (ou simplesmente, para mim, o compadre Pedrinho), por duas vezes quando passaram aqui em Rio Branco - vindos da aldeia, que fica no alto rio Tejo, lá para as bandas do rio Juruá, já nas fronteiras com o Peru - rumo a Groelândia. Com um certo e justificado temor do frio, mas confiando que seus anfitriões não os deixarão na mão, eles estavam conscientes da responsabilidade de falar pela Amazônia na Cerimônia do Foto Sagrado, evento que reunirá milhares de pessoas de todo o mundo e que é liderado por um xamã esquimó, Angaangaq.
Há um mito esquimó que já previu o aquecimento global, ao que parece. Ele fala sobre o derretimento do gelo na região ártica e que quando isso acontecer o Fogo Sagrado virá em socorro, voltará para a Casa do Povo do Topo do Mundo. Os esquimós vivem no topo do mundo. Angaangaq diz que o gelo que deve ser derretido não é o da terra, mas sim o do nosso coração. Haru e Iavu estão levando, para aquecer esta fogueira, cinzas utilizadas no fabrico do rapé que utilizam. Imagina o que os outros povos estão levando... Vai ser muita ciência reunida, muitas intenções unidas. Que Deus abençoe.
Groelândia... quem diria... esses Kuntanawa são cheios de surpresas. E virão outras este ano ainda, aguardem!
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Sábado, 13 de Junho de 2009
Livro na praça!
Expandimos o stand para os bancos da praça ali perto e ficamos conversando, ouvindo música e curtindo a noite. Foi bem gostoso. Eu, que não estava contando com muita coisa, não tinha idéia de como seria, fiquei agradavelmente surpresa e feliz. Uma pena não ter ali ninguém da família do seu Milton, merecedores também que são das homenagens da noite. Mas está nos planos um lançamento de fato, com conversa e música, num futuro breve, e aí representantes da família são pré-condição.
Ah, sim, também estou vendendo livros (R$ 40 + R$ 5 de correios), inclusive pelo correio: maripantoja@yahoo.com.br. Esclareço ainda que a renda, pagas as despesas de impressão do livro (que foram majoritariamente custeadas pela Lei Estadual de Incentivo a Cultura de 2007, mas que tiveram que ser complementadas com um pequeno aporte meu), será revertida para os Kuntanawa, etnia indígena da qual "os Milton" descendem e que está em pleno processo de ressurgimento étnico e demanda territorial. Você não sabia? Pois é, nesta segunda edição do livro tem um pós-escrito contando este novo capítulo da história...
Sábado, 6 de Junho de 2009
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Mas, o que passa afinal???
É assim, meio perplexa e também revoltada, que vivo e assisto a situação da xerox no curso de Ciências Sociais da UFAC. Hoje fui dar aula e voltei para casa sem cumprir minha tarefa: os alunos alegam que a xerox está (de novo!!!) quebrada e ninguém tinha cópia do texto. Dando um desconto para a malandragem estudantil, que rola mesmo, este semestre o não funcionamento das máquinas fotocopiadoras no curso está sendo a regra, e não a excessão. Isto chama atenção. Desde que comecei a dar aulas na UFAC, em dezembro de 2005, tirar xerox sempre envolveu uma certa incerteza, mas não uma impossibilidade. Mas este ano a coisa se superou, como se diz. A regra é: a xerox não está funcionando. Hoje mesmo assisti a máquina "dar pau" na minha frente.
O não-funcionamento das máquinas fotocopiadoras é um inferno para um curso assentado sobre cópias de capítulos, pedaços de texto, artigos - e não sobre livros como um todo. Os motivos para esta realidade são vários e não exclusivos da UFAC, mas um deles é, acredito, a qualidade do acervo da biblioteca, pobre, com poucos volumes e desatualizado. Não daria para dizer aos alunos: vão na biblioteca que vocês encontram o livro. Isto, pelo menos na minha área, é raro. Por outro lado, exigir que os alunos comprem os livros indicados é viagem total. Tenho alunos com dificuldades em tirar xerox, quanto mais adquirir um livro. Esta é a realidade do curso. Ou seja, a xerox precisa funcionar - é básico!
E por que não funciona? O que passa afinal? Será só no nosso curso que não funciona? E nos demais, como é? Sei que em caso de pane na xerox, o jeito é ir tirar cópia lá na "xerox da biblioteca", que tem sempre máquinas funcionando. Mas, interessante, o "dono" daquela xerox é o mesmo (ou mesma) da que (não) funciona lá no meu curso. E me disseram, não sei se é verdade, que a mesma pessoa controlaria todas as xerox da UFAC. Será? Uma só pessoa (física ou jurídica) ganhou a licitação da universidade inteira? Este é um bom tema para investigação: o que estabeleceu esta licitação em termos de qualidade do serviço e também dos preços a serem cobrados? O que o contrato diz sobre condições nas quais o contrato pode ser rompido?
Temas espinhosos, quem se arrisca em ir atrás? Alguém já foi?. Se foi, o que encontrou?
O não-funcionamento das máquinas fotocopiadoras é um inferno para um curso assentado sobre cópias de capítulos, pedaços de texto, artigos - e não sobre livros como um todo. Os motivos para esta realidade são vários e não exclusivos da UFAC, mas um deles é, acredito, a qualidade do acervo da biblioteca, pobre, com poucos volumes e desatualizado. Não daria para dizer aos alunos: vão na biblioteca que vocês encontram o livro. Isto, pelo menos na minha área, é raro. Por outro lado, exigir que os alunos comprem os livros indicados é viagem total. Tenho alunos com dificuldades em tirar xerox, quanto mais adquirir um livro. Esta é a realidade do curso. Ou seja, a xerox precisa funcionar - é básico!
E por que não funciona? O que passa afinal? Será só no nosso curso que não funciona? E nos demais, como é? Sei que em caso de pane na xerox, o jeito é ir tirar cópia lá na "xerox da biblioteca", que tem sempre máquinas funcionando. Mas, interessante, o "dono" daquela xerox é o mesmo (ou mesma) da que (não) funciona lá no meu curso. E me disseram, não sei se é verdade, que a mesma pessoa controlaria todas as xerox da UFAC. Será? Uma só pessoa (física ou jurídica) ganhou a licitação da universidade inteira? Este é um bom tema para investigação: o que estabeleceu esta licitação em termos de qualidade do serviço e também dos preços a serem cobrados? O que o contrato diz sobre condições nas quais o contrato pode ser rompido?
Temas espinhosos, quem se arrisca em ir atrás? Alguém já foi?. Se foi, o que encontrou?
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Santa Semana!
Semana Santa passou e tive o prazer de ter comigo só gente querida. São dias densos estes da Semana, costumam ser, e continuaram sendo. Mas talvez atenuados por estar eu com o coração cheio de alegria pelas presenças, além do Zé Carlos, de meus meus pais - Maria e Antonio - e Guadelupe, antiga amiga da família radicada no México. Vieram todos os três passar a Semana aqui, visitar a casa depois da obra do quarto e mesmo conhecer o Acre, como foi para a Guadelupe, que na verdade pisou pela primeira vez na Amazônia, logo aqui, em Rio Branco, vejam só.
Era muita coisa pra ver, saudades para matar - e pouco tempo. Então, elegemos. Os dois primeiros dias foram dedicados a visitar exposições: a do Palácio e da Biblioteca da Floresta. Incluímos uma ida ao Mercado Velho novo, passeio na passarela, ver o rio. Rolou ainda um almoço no Mata Virgem, que serve galinha caipira, coisa que meu pai, tal qual mulher parida, estava desejando! Estava gostoso mesmo. Ficamos também em casa, pois foram dias de MUITA chuva, só vendo... Chuvas amazônicas. Pra quem não conhecia, até isso foi turismo: ver e ouvir a chuva.
Na Sexta-Feira Santa nos organizamos para um almoço. Convidamos amigos e fizemos um bom de um bacalhau, pilotado por mim e meus pais, acima montando os pratos antes de levar ao forno. Vieram a Chayane, o Allan, a Bia, o Marcelo e o João Manuel. Comemos a valer, brindamos e rezamos, marcando a sobriedade e magnitude do dia onde o Amor talvez mais tenha estado em jogo. Foi muito agradável. Boas conversas, clima tranquilo, até a chuva colaborou.
Depois veio o ponto alto da viagem: visita a Xapuri e ao seringal Cachoeira, mais precisamente à floresta. Na cidade passamos rápido, o tempo para visitar a casa de Chico Mendes, onde tiramos a foto todos juntos (abaixo), e a Fundação que atende pelo mesmo nome, da qual saímos quase todos uniformizados com camisas lembrando o Chico, com saudades dele mesmo sem o ter conhecido...
Rumamos então para a Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira. Um hotel na floresta, ali pertinho dela, de bom gosto e agradável. Não tenho fotos aqui comigo, por isso não as ponho agora, mas vale com certeza conhecer e descansar por lá um pouco. Tem um açude grande com uns decks bons de ficar e fazer um som, como fizemos: Zé Carlos no violão, meu pai na percussão e o mulherio na voz. Nossa, passamos umas horas ali revirando o baú da memória de músicas antigas, cada um revelando seus talentos vocais (mesmo que desafinado...).
No dia seguinte, corremos lá no Nilson Mendes, que gentilmente nos levou para um tour na floresta, um tour de verdade, fora de trilha, andando na mata e conhecendo, guiados por ele, um pouco melhor aquela paisagem que, pra quem não conhece, parece de um verde meio uniforme, mas pra quem conhece é diversificado, descontínuo e cheio de informação. Pegamos MUITA chuva, tivemos mesmo que abreviar o passeio. Para nos proteger, por duas vezes Nilson improvisou um abrigo com palhas de jarina, e ali pudemos passar mais de hora esperando a chuva amainar. Com tudo isso, nos molhamos muito, pisamos em poças, descarregamo-nos ali naquelas matas. À noite, já em casa, todos dormiram como uns anjinhos do Domingo de Páscoa.
Era muita coisa pra ver, saudades para matar - e pouco tempo. Então, elegemos. Os dois primeiros dias foram dedicados a visitar exposições: a do Palácio e da Biblioteca da Floresta. Incluímos uma ida ao Mercado Velho novo, passeio na passarela, ver o rio. Rolou ainda um almoço no Mata Virgem, que serve galinha caipira, coisa que meu pai, tal qual mulher parida, estava desejando! Estava gostoso mesmo. Ficamos também em casa, pois foram dias de MUITA chuva, só vendo... Chuvas amazônicas. Pra quem não conhecia, até isso foi turismo: ver e ouvir a chuva.
Rumamos então para a Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira. Um hotel na floresta, ali pertinho dela, de bom gosto e agradável. Não tenho fotos aqui comigo, por isso não as ponho agora, mas vale com certeza conhecer e descansar por lá um pouco. Tem um açude grande com uns decks bons de ficar e fazer um som, como fizemos: Zé Carlos no violão, meu pai na percussão e o mulherio na voz. Nossa, passamos umas horas ali revirando o baú da memória de músicas antigas, cada um revelando seus talentos vocais (mesmo que desafinado...).
No dia seguinte, corremos lá no Nilson Mendes, que gentilmente nos levou para um tour na floresta, um tour de verdade, fora de trilha, andando na mata e conhecendo, guiados por ele, um pouco melhor aquela paisagem que, pra quem não conhece, parece de um verde meio uniforme, mas pra quem conhece é diversificado, descontínuo e cheio de informação. Pegamos MUITA chuva, tivemos mesmo que abreviar o passeio. Para nos proteger, por duas vezes Nilson improvisou um abrigo com palhas de jarina, e ali pudemos passar mais de hora esperando a chuva amainar. Com tudo isso, nos molhamos muito, pisamos em poças, descarregamo-nos ali naquelas matas. À noite, já em casa, todos dormiram como uns anjinhos do Domingo de Páscoa.
Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Apaguem as luzes!
Sábado é dia de apagar as luzes. Das 20:30 hs às 21:30 hs a ordem é ficar no escuro. E você não estará sozinho. Se tudo der certo cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo estarão fazendo a mesma coisa que você. Já imaginou: todo mundo experimentando aquela sensação de "apagou a luz"...Trata-se da Hora do Planeta. No escuro, com tudo quieto, o convite é para a reflexão sobre para onde estamos levando a nossa nave, o nosso planeta amado, com tudo o que estamos promovendo nele num insensato clima de fim-de-festa.
Uma hora no escuro, dá pra fazer bastante coisa: dormir, rezar, meditar, cantar, pensar na vida, namorar - mas talvez o melhor mesmo seja mentalizar no nosso planeta azul, sofrido e insistentemente generoso, lindo e judiado, forte e frágil, encantador e assustador. Com tudo, é um bom lugar pra se viver. O convite é para cuidarmos bem de casa, fazer o dever de casa, ou sermos boas/bons donas(os) de casa.
Segunda-feira, 23 de Março de 2009
Mais um amigo por perto
Mas quero destacar hoje aqui o João Manuel porque, além dele ter feito aniversário no último dia 17, comemorado com os sushis e sashimis que ele tanto adora, este bravo guerreiro está dando prova de grande versatilidade. Imagine: o João é acriano de nascimento, mas cresceu no Rio, lá fez sua turma, galera, programas e vida social. Boa pinta e simpático, é cheio de amigos, acho que até namorada. Praia, surf, skate. Mas aí os pais resolvem voltar para o Acre. O que resta a uma criança, mesmo que quase adolescente? Vir junto - fazer o que?
Como disseram seus pais: dos três, João é o que está se saindo melhor nesses tempos de aterrisagem, onde tudo ainda está se acomodando e a rotina, aquela senhora tranquilizadora, ainda não se instaurou (pra ser quebrada, é claro). Bem-vindo, João, estou muito feliz com sua chegada e de seus pais - que sejam tempos auspiciosos e gravem em você uma boa memória desta tua terra coberta de florestas.
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